29.5.06
QTA, anule a mensagem anterior
27.5.06
O homem em azul
26.5.06
A ave do paraíso
Aguilhoante sentimento de ausência, entre a ânsia de regaço e as bicadelas pecaminosas da falta. Ali estava, diante de mim, ao virar de uma esquina, no final de um longo trajecto, de sala em sala, galeria em galeria, secção após secção. Esquálidas virgens medievas, reprimidas monjas holandesas, debochadas flamengas de dentes cariados, tinha visto todas. A piedosa mãezinha, a sonhadora donzela, a maléfica rainha. Só que chegara, entretanto aqui. A portentosa natureza em seu esplendor frutífero, a ave rapace em seu apetite voraz, tudo ali me era dado, como se ao alcance de um gesto, à espera do atrevimento das mãos. Foi então que o porteiro nos fez sentir que eram cinco horas. Hora de fechar. Amanhã abrimos pelas dez. Uma boa noite para todos.
25.5.06
O velho Chevrolet
22.5.06
A mãe Natureza
14.5.06
O indiferente Buda
11.5.06
A multiplicação do eco
Barricara-se ali quando a fui buscar. Entre entulho e fermentações muitas de dejectos vários, um cheiro pestilento atroava-me os sentimentos. O próprio silêncio fazia eco, multiplicando-se entre si, nada mais havendo do que o vazio. Não havia canto de parede que não estivesse escrito, palavras empedernidas de raiva, rasgadas com as unhas a sangrarem-se contra o cimento. Estava só. Pressentindo ao que eu vinha, olhámo-nos longamente. As lágrimas escorriam-lhe pela face. Perguntei-lhe, como se a medo, se queria vir. Respondeu-me, como se envergonhada, o murmúrio de um sim. Saímos os dois. Nada havia ali que lhe valesse a pena trazer consigo. A casa ainda lá está. Outros a habitam: a família sucessiva dos desesperados, de quem nos esquecemos no dia a dia formigante das nossas vidas. Eu de insignificante gravata ao pescoço, a pastinha ridícula na mão. 6.5.06
Para o dia da mãe
3.5.06
Um deus por haver
1.5.06
A invenção da memória
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