«Eis o Vademecum do Cosmonauta,uma autentica jóia eis a verdadeira caixa de pandora! Este espaço virtual achado pelo explorador, permite-lhe beber do seu tesouro, e juntamente com o seu criador e os eventuais leitores irá entrar num campo de descoberta, povoado pela imaginação e pela criatividade.», Hugo Barreiros escreveu no seu novo blog «O Cosmonauta». Voga pelo espaço sideral, da terra alheado, imerso no mar da sua imaginação delirante. 25.4.07
O Cosmonauta
«Eis o Vademecum do Cosmonauta,uma autentica jóia eis a verdadeira caixa de pandora! Este espaço virtual achado pelo explorador, permite-lhe beber do seu tesouro, e juntamente com o seu criador e os eventuais leitores irá entrar num campo de descoberta, povoado pela imaginação e pela criatividade.», Hugo Barreiros escreveu no seu novo blog «O Cosmonauta». Voga pelo espaço sideral, da terra alheado, imerso no mar da sua imaginação delirante. 5.4.07
A terra dos meus
Vista daquela enregelada janela, em que o próprio vidro parecia gelo, a montanha abraçava-nos, amiga, envolta em bruma e escondida na distância. Naquele dia, sentados à mesa, a toalha dos domingos, o guizado dos dias de festa, o nosso pai dividia entre nós o pão comum.5.3.07
A Casa dos Artistas

18.2.07
28.1.07
Em estado puro
Há dois anos espantou um alfarrabista de rua ao interessar-se por um livro sobre Picasso e ao insistir comigo para que lho comprasse. Hoje, um dia gélido, ao passarmos pela mesma rua, pelo mesmo alfarrabista, este lembrou-lhe a história que não mais esquecera. «Talvez a sensibilidade pura das crianças entenda o essencial daquela forma de ser arte», arrisquei com a minha lógica redonda de adulto. «Não é por isso», respondeu-me, amigável, como quem não quer melindrar o pai, «é só mesmo porque gostei». Chama-se Afonso. Oxalá se conserve assim, em estado puro.21.1.07
Uma vida que nasce
Há no momento mágico em que uma mãe volta a sê-lo, através da filha que criou, o indizível da Natureza a cumprir-se. Uma só coisa pode exprimir o sentimento de gratidão das almas circunstantes, ante este renovar-se contínuo da nossa vida: um infinitamente amigo silêncio, o nada dizer, por estar tudo dito. Há no momento único em que, atónitos, sobrevivemos no futuro, a magia de um milagre, o inesperado de uma oração. Parabéns às duas, à filha e a sua mãe.8.12.06
O meu Hugo!
Eu vim aqui dizer ao mundo inteiro que hoje é o último dia em que este jovem é menor. Amanhã entra na categoria do «senhor Hugo». Um pai cumpre-se quando um filho segue o seu caminho. Foi sempre assim e assim será. Boa sorte, pois, meu rapaz! E não te esqueças, já agora de arrumar o quarto e a loiça da cozinha! Não é por nada. É só para eu me orgulhar de ti!Não digas nada!
A livraria era um labirinto de acasos. Encontrar um livro um exercício de persistência, olhos atentos, em cada recanto, uma surpresa. De encantamento em encantamento, reencontrei-a, quase inacessível, ali, a Dalila Pereira da Costa e a sua «Ladainha de Setúbal», além uma linha de verso, o «trago no sangue o mistério daquele resto de estrada que não andei», nos «Versos Quase Tristes» do Sebastião da Gama. Ia já de saída, o guarda-chuva quase na mão para enfrentar o real exterior e nele a morrinha que anunciava a noite, quando, de entre os livros me perguntaram, como se ao advogado se dirigissem, ao descobri-lo: «o senhor tem um caso cá em Setúbal?». Ia a responder que «sim, com a Serra-Mãe», quando um sentimento íntimo de acanhamento adolescente me sussurou ao ouvido: «não digas nada».28.11.06
Um anseio de vida

Encontrei-a, amarelecida, esta fotografia. São os que me deram o ser. Ao microfone o meu pai, em frente a minha mãe. Vinte e cinco anos de idade era então apenas o que os separava. Numa insignificante salinha, emitia em onda curta, com dez watts de potência, o CR6RE, na banda dos quarenta e um metros e quarenta, na frequência dos 7 245 kilociclos. Eram os dias da rádio, os discos pedidos, tocados ainda a setenta e oito rotações. Olhando para o que a vida fez destas ondas de esperança, eu decretaria, se tal me fosse possível, o absurdo do que sucedeu. Neste final de dia, olhando para o céu a arrefecer, nocturno, tento encontrá-las, perdidas no éter, as palavras ditas a este microfone, num tempo em que a ideia de mim era apenas uma esperança de vida, um anseio de viver.
2.10.06
As nuvens
8.7.06
Uma vida por viver
Houve um tempo em que todas as escolhas eram possíveis, o mundo dos outros podia não ser o meu. Depois, o tomar de empréstimo vidas alheias, olhar literariamente a melancolia da vida por uma janela fechada. Houve um tempo em que eu tive cinco anos. Hoje, aos cinquenta e sete, vivi a vida que havia para viver. 25.6.06
21.6.06
Minhau!
Musculado, musculoso, imponente, majestoso. Em torno de si, o arquétipo do irrealizável, um estrepitar de fantasias de vigor e de potência. Creio que era porteiro de bar pela noite, dormia pela manhã, ocupava a tarde em musculação. Uma americana esfaimada levou-o como berloque. Hoje é um penderucalho, entre chás e biscoitos. Vai ao super e arruma camisolas de lã entre rendinhas femininas. Talvez faça miau. Já nem sei.17.6.06
A eternidade em cada instante
Se um homem soubesse o que a vida lhe dá, trazido pelo excepcional do acaso, como a chuva inesperada ou este desejo de precipício, viveria. Em cada dia da sua vida, deixar-se-ia seguir, os ventos alíseos do afecto, a vaga refrescante de um grande mar. Mas um homem não sabe. Só quando se apercebe que teve vinte anos revê a sua vida, mas já viveu. Se um homem soubesse o que é ter por companhia a tristeza aos vinte anos, e ela ficar-lhe, como uma velha fotografia, desbotando-se-lhe no tempo, roubando-lhe o entusiasmo de viver, compartilharia com tantos a sua solidão. Se um homem soubesse que cada instante tem em si a eternidade, diria bom dia ao dia e viveria definitivamente aquele dia.Mais uma vez

16.6.06
A infinita regressão
Chama-se «A mad tea party». Desenhou-o John Tenniel, que faleceu em 1914. Tenniel foi o ilustrador dos livros do reverendo Charles Dodgson, que passou para a História da Literatura como o autor dos livros de Alice, sob o nome de Lewis Carroll. Especialista em lógica, ele coloca no diálogo do que a tartaruga disse a Aquiles o paradoxo de Zenão sobre a infinita regressão. Sucede assim cada vez que a verdade de P depende da verdade de P+1. O primeiro que quebrar a cadeia da verdade, tropeça na solidão da mentira. Só progredindo nos salvamos.
15.6.06
Um dia argênteo
É a transmutação alquímica da vida, o local onde o sal do mar se cruza com o doce dos rios, o instante criador, o nascer de um sentimento. São os fuidos vitais em ebulição, o corpo a ferver, a alma a sangrar. Tudo isto pode ser reduzido a uma fórmula ou a uma equação ou compreendido poeticamente, num abraço fraterno, na volúpia de um desejo, no vazio de se estar só.
13.6.06
Eu vi um sapo
O sapo feio, o que passa as noites no pântano a coaxar, descobriu um dia que em seu redor, as princesas se tinham transformado em rãs. Se houvesse histórias de beijos que os transformassem em príncipes dos afectos e reis do amor, eu mesmo secaria os charcos, treparia às árvores e, em pássaro transformado, aprenderia a voar.10.6.06
O horizonte lunar
Enfeitiçada lua em noite quente, ei-la a inundar ventres de loucuras, transtornando as mentes já despertas para a vida. Surgiu-me, assim, inesperada, como se o acaso negro de uma doença ou o presságio de um sentimento amável. Nunca mais da mesma janela eu te verei, ó lua, minha companhia desta noite. Silenciosos, os pássaros, aninhados na sua plumagem, nem ousam. Ao longe a cidade, agacha-se como se para dormir. Um resto de luz despede-se em azul. Enfeitiçada, louca e transtornada, a lua inicia a sua subida, rápida, na parábola infinita dos céus. Rezaria, sabendo, pelo bem de todos os que são bons. A silhueta da tristeza marca-me o horizonte do impossível.Mulher em casa de homens


